3 de abril de 2015

A necessidade do exército americano deu origem ao Jeep

Em 20 de Outubro de 1883, nascia em Point Pleasant, EUA, o designer Karl Probst. Ele poderia ter passado despercebido pela história automóvel, mas decidiu assumir uma missão difícil e arriscada a pedido do Exército Americano.

Era 1940 e os EUA estavam percebendo que brevemente estariam directamente envolvidos na Segunda Guerra Mundial, que já devastava a Europa. Pensando nisso, decidiu antecipar-se aos factos e pediu um projecto de um veículo leve de reconhecimento a 135 empresas no país. No entanto, apenas a Bantam e a Willys Overland responderam.

A Bantam estava em processo de falência e não podia contar com sua equipe de engenharia, enquanto a Willys pediu mais tempo. Afinal, o Exército Norte-Americano pediu quase o impossível: 49 dias de prazo e nada mais! 

Bantam BRC
No final, o protótipo já deveria ser totalmente funcional. Sem acção por parte da Willys, a Bantam pediu a Probst – freelancer na época – para desenvolver o projecto.

Probst recusou, mas o Exército Norte-Americano, fez um pedido directo e ele acabou aceitando, mesmo sem receber qualquer tipo de remuneração. Karl provou ser completamente capaz de executar a missão. Em apenas dois dias ele desenhou o veículo que os militares queriam. Isso foi em 17 de Julho de 1940 e no dia 22 do mesmo mês, a Bantam apresentou o protótipo BRC (Bantam Reconnaissance Car).

O BRC foi construído à mão e com peças de outros veículos, sendo então testado pelo exército e aprovado em todos os requisitos, excepto a potência do motor. De qualquer forma, o veículo já estava apto a ser produzido, mas o Exército Norte Americano, achou que a Bantam não conseguiria dar conta do recado e pediu para que Ford e Willys passassem a fabricar também o novo carro militar.

Os componentes principais do veículo foram fornecidos pela Spicer e a Bantam manteve o nome BRC, enquanto a Ford o chamou de Pygmy (Pigmeu) e a Willys de Quad. Os três protótipos pré-série eram muito parecidos entre si e as diferenças estavam principalmente relacionadas com a grelha frontal.

Para produção de série, os nomes foram alterados para Bantam BRC-40, Ford GP e Willys MA. Foram produzidas 1.500 unidades de cada modelo e imediatamente testados pelo o exército. Dos três fabricantes, a Willys deu um salto maior ao reduzir o peso para os 578 kg em ordem de marcha para uma especificação de uso militar e podia ainda usar o mais potente motor “Go Devil” da empresa.

Com isso, a Willys ganhou o contrato principal de produção com um projecto que daria origem a um famoso utilitário 4×4 após a guerra. O visual do modelo, agora chamado MB, utilizava a grelha de barras verticais da Ford e o design foi adoptado pelo Exército Norte-Americano .

Sem poder dar conta da procura, a Willys Overland pediu permissão para contratar a Ford, a fim de ajudar a obter o volume necessário. Infelizmente, a Bantam não teve sucesso, apesar de ter feito 2.700 unidades do BRC-40 e ter criado o projeto em tempo recorde.

Jeep

A origem real do nome “Jeep” ainda é alvo de debates, mas é usualmente aceite que derivou do termo “GP” (General Purpose) usado pela Ford no seu modelo. As letras “G” e “P” soariam como “Jeep” em inglês. A invenção do nome Jeep teria sido feita por Joe Frazer, presidente da Willys entre 1939 e 1944, usando exactamente a pronúncia das letras.

Enfim, o nome Jeep surgia nos campos de batalha e acabou se tornando sinónimo desse tipo de veículo dentro do exército. A fama de indestrutível nas linhas de combate fez o nome “Jeep” significar também qualquer veículo inspirado no GP. Somente em Fevereiro de 1943, a Willys entra com o pedido de marca para “Jeep”.

Durante a Segunda Guerra, Willys Overland e Ford construíram 640.000 unidades dos modelos MB e GPW, que representaram 18% de todos os veículos militares produzidos pelos EUA durante o conflito. O preço unitário era de US$ 648,74 na Willys e US$ 782,59 na Ford. Usado nos mais variados fins, o Jeep teve inclusive 30% de sua produção fornecidos para o Império Britânico e União Soviética.

Pós-guerra


Depois da guerra, a fama do Jeep se espalhou pelo mundo e diversos fabricantes copiaram o modelo, inclusive do Japão. O veículo também se tornou um objecto de arte, sendo considerado uma obra-prima do desenho industrial. Funcional e resistente, o projecto continuou a ser executado para fins militares, mas acabou caindo mesmo é nas graças dos consumidores civis.

O primeiro Jeep civil foi o CJ-2A (Civil Jeep) de 1945 e custava US$ 1.090. Em 1953 surge o CJ-3B. A marca registada só seria dada à Willys Overland em 1950. Mas ela iniciou um período de mudanças de dono. A empresa foi vendida para a Kaiser Motors em 1953 e a divisão Jeep virou Kaiser-Jeep em 1963. Com faróis maiores e para-lamas dianteiros mais delineados, o veículo foi sempre o best seller da empresa nas décadas seguintes, apesar de terem surgido variantes.

Das séries do utilitário 4×4, a fabricada por mais tempo foi a CJ-5, que ficou em linha entre 1954 e 1983. Haviam também as séries FJ, FD, Jeepster, Forward Control e “M”. Em 1963, surge a série SJ, que tornaria a Jeep mais diversificada, pois tratava-se de um veículo maior e contemporâneo da época. (N.A)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Mensagens consideradas difamatórias ou que não se coadunem com os objectivos do blogue Defesa Nacional serão removidas.